O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.

“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.

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domingo, 7 de outubro de 2012

REDUÇÃO DO IPI NUNCA CHEGOU AO BOLSO DO CONSUMIDOR

http://blogdojoaolins.blogspot.com.br/2012/10/reducao-do-ipi-nunca-chegou-ao-bolso-do.html

Se por um lado alguns carros 0 km ficaram mais baratos, por outro os usados e seminovos ficaram mais desvalorizados, obrigando o consumidor a desembolsar mais dinheiro na hora de trocar o seu veículo, aumentando ainda mais o número de brasileiros endividados.

Olhando por esta perspectiva, o brasileiro nunca viu, ou, sentiu o efeito do IPI reduzido em seu bolso. Pelo contrário. O que se viu, foi um monte de desesperados, ansiosos por trocar de carro, contraindo dívidas que dificilmente conseguirão pagar até o final. Mesmo porque no Brasil, não é fácil manter um carro. A prestação somada ao combustível (um dos mais caros do mundo), mais manutenção - que já vai estar alta – e por último, e não menos importante, todas as taxas e impostos como IPVA, Controlar, pedágios etc. só vão levar o consumidor a um fim: vender o carro.

Se o brasileiro tivesse feito as contas no papel, ou somado em qualquer calculadora chinesa, provavelmente não teria trocado de carro. Talvez, até veria que nem precisava de um novo carro. Mas com a ideia fixada pelas propagandas enganosas, quis aproveitar uma vantagem (falsa), e correu para as concessionárias para comprar algo que não compensava.

O preço do usado caiu muito, mais que o do zero km. Com o passar dos meses isso só foi piorando. E no momento, o usado continua desvalorizando enquanto o preço do zero km estacionou. Numa situação como essa, qualquer pessoa perguntaria, “quem está trocando de carro? Quem são os loucos que estão fazendo um negócio desses?”.

Só quem tinha o dinheiro na mão, consórcio ou a “sorte dos irlandeses” e conseguiu vender seu carro, um dia antes do anuncio da redução do IPI, provavelmente fez um ótimo negócio. O que se viu foi o seguinte. O zero km, mesmo que com certa timidez, ficou mais barato. Os vendedores, com estoques cheios, faziam de tudo para “limpar o pátio” e o preço final, em boa parte das negociações, era ainda mais baixo que o anunciado. Ainda hoje é comum encontrar um comprador de um Uno pagando mais barato numa concessionária que em outra, numa mesma cidade. 

Mas os responsáveis pelo endividamento da população, que trocou o usado por um carro novo, por incrível que pareça, não foi a política econômica do governo. Os principais responsáveis foram os donos de concessionárias e revendas mal intencionados que, até hoje, tentam lucrar em cima do consumidor leigo. Está se tornando comum ver subavaliações de carros com depreciação acima dos cinco mil. Por exemplo, um VW Gol 1.0 IV cuja tabela FIPE é de R$16.500, em certas revendas, ele foi avaliado por R$10.000, para depois ser vendido por cerca de 16 mil.

Na base da troca, a avaliação melhora um pouco, mas de nada adianta já que o carro novo vai estar no preço de tabela. Ou seja, o consumidor, no exemplo acima, vai vender seu carro por cerca de 6 mil abaixo da tabela e vai comprar outro pelo preço da tabela. E a justificativa das concessionárias e revendas é sempre a mesma: “hoje em dia não podemos ir pela tabela”, “eu tenho que pagar funcionário, luz, aluguel”. Nada, NADA, justifica um negócio desse tipo. É claro que não são todos os revendedores que trabalham dessa maneira. Existem pessoas honestas neste ramo. Mas infelizmente, hoje, a maioria está usando dessas artimanhas para super lucrar em cima de quem conhece pouco, ou quase nada do mercado.

Portanto, a perspectiva para o futuro não é nada boa. A redução do IPI foi pura ilusão. Como sempre acontece no Brasil, foi bom para poucos. A grande maioria fez um péssimo negócio e se endividou ainda mais. Quando essa “bolha” estourar, o preço dos usados vão cair ainda mais. As revendas vão pagar ainda menos, e nem IPI, nem juros baixos, muito menos a “bolsa” da Dilma vai segurar a quebradeira geral. É aquele velho ditado: “Alegria de pobre, dura pouco…”

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